Saúde

Avanços tecnológicos beneficiam tratamento do câncer de pâncreas

Técnicas minimamente invasivas e eficiência na detecção precoce melhoram quadros da doença

O diagnóstico do câncer de pâncreas costuma ser um desafio. Com sintomas pouco aparentes e descoberta geralmente feita em estágio avançado, ele é considerado um dos tipos mais perigosos da doença. Porém, a tecnologia proporcionou grande avanço em seu tratamento, permitindo que uma abordagem multidisciplinar dê ao paciente mais qualidade de vida.

Segundo o dr. Eduardo Fernandes, especialista em cirurgias hepáticas e pancreáticas do Hospital São Lucas Copacabana, cujo centro especializado no tratamento de tumores de fígado e pâncreas é considerado referência nacional, os avanços da área, nos últimos dez anos, foram expressivos. Se antes a abordagem mais comum de tratamento era a cirurgia para a retirada do tumor, agora, os médicos têm mais opção na hora de escolher como lidar com a doença.

“A quimioterapia, efetiva principalmente para controlar o tumor ou impedir seu retorno, está sendo usada de forma inovadora. Em alguns casos, os especialistas podem usar três ou quatro ciclos do método antes da cirurgia e quatro ou seis ciclos após a cirurgia, o que aumenta as chances de sucesso do tratamento”, explicou o dr. Eduardo.

A própria cirurgia de retirada do tumor teve avanços significativos. A tecnologia da cirurgia robótica, por exemplo, permite que o médico acesse tumores menores com mais precisão. Aliado a isso, a natureza minimamente invasiva dessa técnica beneficia a recuperação do paciente, de modo que ele tem alta hospitalar mais cedo.

Hoje, segundo o dr. Eduardo, também é possível realizar ressecções de vasos ao redor do órgão, o que possibilita a remoção de áreas tumorais que, antes, nos métodos cirúrgicos tradicionais, eram muito difíceis de ser acessadas. Novos tratamentos para o câncer de pâncreas, ainda em fase de testes, também são promissores.

“Um bom exemplo são dois medicamentos específicos orais que, segundo cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, apresentam bons resultados na inibição do crescimento do tumor quando usados em conjunto, o que faz com que a doença tenha seu avanço retardado”, explica o médico.

Em relação à identificação precoce da doença, que aumenta as chances de cura do câncer de pâncreas, os pacientes com casos da doença na família podem fazer testes genéticos e exames de imagem, como ultrassom endoscópico e colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), para visualizar alterações que indiquem a patologia. Segundo pesquisas recentes, descobertas apontam que mutações herdadas em genes como p16 e BRCA2, assim como genes ligados à síndrome de Lynch, podem aumentar as chances de desenvolvimento do quadro.

Sobre o autor

Dr. Eduardo Fernandes

Dr. Eduardo Fernandes

Hepatologista no Hospital São Lucas Copacabana
Eduardo Fernandes é mestre em cirurgia geral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) certificado em Transplante de Órgão Abdominal pela University of Nebraska (USA) e em Transplante e Cirurgia de Fígado pelo Chang Gang Memorial Hospital (China). Fundou a unidade brasileira da International Hepato-Pancreato Biliary Association (IHPBA) e é membro associado à International Liver Transplantation Society (Sociedade de Transplante de Fígado).

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