Saúde

Fígado gorduroso: como evitar essa doença silenciosa

No Dia Nacional do Combate à Gordura no Fígado explicamos como prevenir e tratar essa condição

O acúmulo de gordura no fígado, condição também conhecida como esteatose hepática, é uma doença comum, porém não costuma demonstrar sintomas e, por isso, é considerada uma doença “silenciosa”. Um dos principais fatores de risco é o estilo de vida sedentário aliado à uma alimentação rica em carboidratos e gorduras. É importante alertar a população sobre os hábitos negativos que devem ser evitados, em prol da saúde e do pleno funcionamento desse órgão vital. O fígado gorduroso é extremamente comum na prática médica, atingindo cerca de 20% da população, dos quais 4% têm a forma inflamatória da doença – a esteatohepatite.

O que é a gordura no fígado?

“A esteatose é a manifestação hepática de um conjunto de alterações clínicas, denominada síndrome metabólica, que vem associada a um maior risco cardiovascular, hipertensão arterial, aumento da gordura abdominal (cintura), aumento dos triglicerídeos, baixa do HDL (colesterol protetor) e diabetes mellitus. Outras alterações como o aumento do ácido úrico e a baixa de hormônio tireoidiano também podem estar presentes”, explica o Dr. Henrique Sergio Coelho, coordenador da Unidade de Fígado e Pâncreas do Hospital São Lucas Copacabana.

Pessoas com síndrome do ovário policístico, hipotireoidismo, síndrome metabólica, psoríase, apneia do sono e gordura corporal concentrada no abdômen têm maior tendência ao desenvolvimento da esteatose hepática, de acordo com o Ministério da Saúde. Essa complicação, em sua forma inflamatória, pode evoluir de maneira silenciosa para cirrose e até câncer, havendo chances de ser fatal. Felizmente, porém, o quadro é reversível se o paciente adotar um estilo de vida mais saudável, com a redução da ingestão de álcool, uma alimentação nutritiva e balanceada e a prática de exercícios aeróbicos. Se houver excesso de lipídios e de glicose, medicamentos prescritos também podem ajudar.

Entenda como ocorre essa condição

A ingestão diária de alimentos com alto teor de lipídios afeta as células do fígado, que acumulam gordura em seu interior. Também são responsáveis por essa doença altos níveis de açúcar e/ou de triglicerídeos no sangue e um fenômeno chamado resistência insulínica, isto é, quando o corpo resiste ao hormônio insulina, resultando no aumento de açúcar no sangue (mais comum em indivíduos com sobrepeso).

“Essa grande quantidade de gordura e açúcar vai dificultando cada vez mais o bom desempenho do fígado em sua função de filtragem, e as consequências são o aumento de gordura e da glicose circulando no organismo, além de alterações das enzimas hepáticas no sangue”, explica o médico especialista. Nas fases avançadas da doença, já na presença da cirrose hepática, surge acúmulo de líquidos no organismo, inchaço nas pernas e no abdome, aumento do baço e formação de varizes internas.

Quais são os sintomas?

“O grande perigo desta ‘inocente’ doença é que, na maior parte dos casos, por um longo período, o paciente é assintomático, sendo necessários exames para seu diagnóstico. Os que apresentam sintomas relatam dores no lado direito do abdômen, enjoos, mal estar e um aspecto de inchaço na barriga. Em casos como este, um hepatologista deve ser consultado o quanto antes”, explica o Dr. Eduardo Fernandes, médico hepatologista do Hospital São Lucas Copacabana.

Quando o paciente está assintomático, a detecção é possível através dos exames de ultrassonografia do abdômen, tomografia e/ou ressonância magnética. Um exame eficaz para a detecção da gordura no fígado é a elastografia hepática que, além de evidenciar a presença de gordura, pode quantificá-la e avaliar se está havendo evolução para fibrose (cicatrização) e cirrose.

Um diagnóstico precoce é extremamente importante, pois pode evitar consequências graves associadas à doença, como a cirrose hepática, o câncer de fígado e a necessidade de transplantar o órgão devido ao estado danoso. Por isso, mantenha sempre seus exames em dia!

Para a saúde do fígado, você deve priorizar:

Escolher os alimentos certos é a chave para manter a saúde do organismo como um todo, principalmente do fígado. Nesse caso, é indicado consumir legumes, folhas verdes, verduras, frutas, oleaginosas (como amendoim e castanhas) e versões grelhadas ou cozidas de carnes magras.Carboidratos devem ser consumidos em menor quantidade. Exercícios aeróbicos devem ser praticados, idealmente, 3 vezes por semana, por pelo menos 1 hora, com a busca constante pela manutenção do peso ideal”, complementa o Dr. Henrique Sergio Coelho. Ressaltamos que cada paciente deve se orientar com um nutricionista, que irá prescrever uma dieta adequada.

Para a saúde do fígado, você deve evitar:

Evite ao máximo bebidas alcoólicas em excesso; alimentos gordurosos e ultraprocessados, como frituras, salgadinhos, embutidos, doces e refrigerantes; e, caso seja fumante, faça o possível para abandonar o vício.

O fígado é um dos principais órgãos do corpo, sendo responsável, entre outras funções, por metabolizar as proteínas e os carboidratos e filtrar as toxinas. Caso o órgão não esteja funcionando corretamente, o organismo corre perigo. Por isso, não negligencie esses cuidados.

Sobre o autor

Dr. Henrique Sergio Coelho

Dr. Henrique Sergio Coelho

Coordenador da Unidade de Fígado e Pâncreas do Hospital São Lucas Copacabana
Henrique Sérgio Martins Coelho é médico hepatologista e doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também é professor associado. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia entre 2011 e 2013.

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