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Médicos lançam livro com reflexões sobre quando foram pacientes

Depoimentos revelam vulnerabilidade e maior conexão com quem precisa de cuidado

A grande missão da carreira de um médico é cuidar de seus pacientes, proporcionando a eles a melhor qualidade de vida possível. Porém, quando o médico se torna o paciente, abre-se espaço para a reflexão sobre a importância do cuidado e o que de fato significa adoecer. Esses foram alguns dos assuntos abordados em Quando Fui Paciente (ed. Guayabo), o segundo livro do projeto Causos Clínicos, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).

Elaborado com base em relatos, crônicas e poemas escritos por mais de 20 médicos, o livro evidencia o amor e a vulnerabilidade em relação à saúde. Segundo o dr. Marcos Knibel, coordenador do Centro de Estudos do Hospital São Lucas Copacabana, existe o forte senso de que os médicos desempenham o papel social de quem cuida e dificilmente percebem que também precisam ser cuidados.

“Não é porque uma pessoa escolheu a medicina como vocação que ela não deva cuidar de seu corpo e de sua mente ao longo da vida, porém, é comum que esse comportamento aconteça no dia a dia porque, para os médicos, a saúde do paciente é a prioridade. O cuidado do médico em relação à própria saúde é extremamente necessário, até porque, se ele estiver doente, não poderá cuidar dos outros”, afirma o dr. Knibel.

Por  meio da experiência dos médicos que viveram quadros de câncer, transtorno bipolar, abuso de álcool, anorexia e outras doenças, fica clara a reflexão sobre a importância do cuidado dedicado ao outro e a necessidade de o médico aceitar que, em determinado momento, ele precisa parar para avaliar as próprias condições de saúde.

Segundo o dr. Knibel, cabe aos médicos uma reflexão sobre seu bem-estar e qualidade de vida. Para que essa visão seja mais ampla, ele pode contar com o auxílio de familiares e amigos próximos, que podem formar uma rede de apoio e ajudá-lo, caso seja necessário. A cumplicidade com os amigos médicos também é importante, já que o olhar clínico pode fazer a diferença na hora de detectar o início de uma doença ou comportamento que leve a uma condição ruim para a saúde. Cuidar – do outro ou de si mesmo – é um ato de amor e deve ser praticado sempre.

Sobre o autor

Dr. Marcos Knibel

Dr. Marcos Knibel

Marcos Knibel é mestre em Terapia Intensiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Centro de Ensino e Treinamento do Hospital São Lucas Copacabana.

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