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Obesidade como fator de risco para a Covid-19

Cuidados diários com a saúde são importantes para diminuir as chances de contágio

Quando se trata dos fatores de risco que podem agravar a infecção pelo novo coronavírus, a obesidade ocupa a segunda posição, ficando atrás apenas da idade. Essa constatação é preocupante, uma vez que cerca de 20% da população do país é considerada obesa e mais da metade está acima do peso normal, de acordo com pesquisas recentes.

“Tenho acompanhado internações de pacientes jovens cuja única comorbidade é a obesidade. Não devemos reconhecer a obesidade com uma opção de vida. Além de ela ser uma doença crônica, está associada a mais de 200 quadros clínicos e precisa de acompanhamento durante toda a vida do paciente”, adverte o dr. Lúcio Henrique Rocha Vieira, endocrinologista do Hospital São Lucas Copacabana.

Limitações em meio à pandemia

A situação de uma pessoa com obesidade ante o novo coronavírus pode ser delicada, desde o diagnóstico até o tratamento em ambiente hospitalar. A World Obesity Organization afirma que “pode ser mais desafiador obter imagens de diagnóstico de pessoas obesas, pois existem limites de peso nas máquinas de imagens, e os pacientes são mais difíceis de serem posicionados e transportados pela equipe de enfermagem”. O médico do Hospital São Lucas Copacabana ressalta: “Em ambiente hospitalar, a obesidade dificulta o posicionamento adequado quando o paciente precisa ficar na ventilação mecânica e ainda constitui um fator de risco para trombose.”.

Além das limitações estruturais, o paciente passa a lutar contra dois tipos de inflamação, afinal, a inflamação natural do excesso de peso se junta à grave inflamação produzida pela Covid-19. De acordo com o dr. Lúcio, algumas evidências científicas sugerem que tanto as alterações metabólicas e hormonais quanto as deficiências nutricionais causadas pelo excesso de peso podem piorar as formas de defesa do organismo.

“Além disso, pessoas com obesidade podem ter comprometimento significativo da função pulmonar, por distúrbios restritivos decorrentes do excesso de tecido adiposo, o que piora a expansão da caixa torácica durante os movimentos respiratórios. Soma-se a isso a entidade da síndrome da hipoventilação da obesidade, que é associada com a apneia do sono e a piora da oxigenação das células sanguíneas”, afirma o endocrinologista.

Mantenha o foco

Diante desses dados, fica ainda mais evidente a necessidade de adotar uma postura saudável em meio à pandemia e ao isolamento social. Não deixe de se exercitar da forma que puder – aproveite o apoio de videoaulas ou realize rotinas de treino on-line com amigos por meio de aplicativos de videochamada. Sabemos que o desafio é grande, mas tente priorizar lanches saudáveis, como frutas, legumes e verduras, e opte por grãos integrais e carnes magras durante as refeições principais.

“Devemos aproveitar todas as oportunidades para reconhecer um problema e buscar ajuda. Durante a pandemia, encare o ‘fator de risco’ como uma oportunidade para, daqui para a frente, ver a obesidade com outros olhos. A ideia é se conscientizar de que o tratamento da obesidade é sério, como de qualquer outra doença, e vai exigir cuidados (autocuidado) e empenho a vida inteira. Diante do isolamento domiciliar, a telemedicina pode ser fundamental para aproximar o médico do paciente”, finaliza o dr. Lúcio Henrique Rocha Vieira, endocrinologista do Hospital São Lucas Copacabana.

Fonte: Dr. Lúcio Henrique Rocha Vieira, endocrinologista do Hospital São Lucas Copacabana.

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Equipe São Lucas

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