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A síndrome metabólica e os obstáculos no combate à obesidade

Conheça as diferenças em relação ao efeito platô e como o corpo pode superar a doença.

Vencer a obesidade é o desafio de muitas pessoas que brigam com a balança diariamente em busca de uma vida mais saudável. Porém, mesmo com uma dieta regrada e a prática de exercícios físicos frequentes, a perda de peso pode não acontecer de maneira eficaz por causa de fatores endócrinos e metabólicos relacionados à obesidade e à síndrome metabólica. Isso faz com que o desafio de superar a doença não fique apenas atrelado à vontade de alguns pacientes.

A obesidade é uma patologia crônica, e existem dezenas de fatores que, em conjunto, culminam em seu desenvolvimento. Segundo o dr. Fernando de Barros, cirurgião bariátrico do Hospital São Lucas, em Copacabana, no Rio de Janeiro, ainda não se sabe o mecanismo exato que favorece o acúmulo de gorduras no corpo.

“Alguns fatores são bem conhecidos e outros, não. O que já sabemos com certa evidência na literatura médica é que a cirurgia bariátrica é o melhor tratamento disponível atualmente para remissão e controle da obesidade e também da síndrome metabólica”, explica.

A síndrome metabólica, por sua vez, é um conjunto de doenças que se associa com frequência à obesidade, como hipertensão arterial, circunferência abdominal e alterações nos níveis de glicose e do perfil lipídico. Ela pode estar presente quando o paciente vive ao menos três dos seguintes casos:

– obesidade central (circunferência da cintura) superior a 88cm nas mulheres e 102cm nos homens;
– hipertensão arterial com mais de 130mmHg de pressão arterial sistólica (quando o ventrículo bombeia o sangue para a aorta) e/ou mais de 85mmHg de pressão arterial diastólica (quando o ventrículo se enche para o próximo movimento);
– diabetes ou glicemia superior a 110mg/dl;
– triglicerídeos superiores a 150mg/dl;
– HLD colesterol (colesterol bom) superior a 40mg/dl nos homens e 50mg/dl nas mulheres.

Como a síndrome metabólica está associada diretamente a alguns sintomas que possam indicar doenças cardiovasculares, é necessário tratá-la com atenção. Para o dr. Fernando, é importante que o paciente adote um estilo de vida mais saudável, com atividades físicas e uma boa alimentação e sem a presença do cigarro.

“Em alguns casos, o uso de medicação é importante para ajudar no controle da síndrome, e um endocrinologista pode avaliar e orientar esses pacientes”, afirma o médico.

Já o efeito platô nada mais é do que a estabilização da perda de peso após a cirurgia bariátrica, quando o organismo se adapta à restrição de calorias e acaba diminuindo seu metabolismo. Isso faz com que o paciente, que vinha perdendo alguns quilos por semana, dê uma desacelerada nessa curva.

“Esse é um momento que requer muita atenção e acompanhamento da equipe multidisciplinar, pois, geralmente, o paciente passa por uma fase de angústia e ansiedade”, finaliza.

É comum que o efeito platô ocorra por volta do terceiro ou quarto mês após a cirurgia, mas o período pode variar. Para vencê-lo, persistir na nova alimentação é fundamental, uma vez que, com o tempo, o organismo vai voltar ao seu metabolismo normalmente, iniciando um novo ciclo de emagrecimento e diminuição de peso. Manter a atividade física em dia é outro fator importante para diminuir o tempo do efeito platô.