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Cirurgia no intestino: um guia completo sobre o procedimento e a recuperação

Entenda como funciona a cirurgia no intestino, quando é indicada e quais os cuidados essenciais na recuperação, da dieta à cicatrização. Informe-se.
ESL
Equipe São Lucas - Equipe São Lucas - Equipe São LucasAtualizado em 29/01/2026

Entenda por que a cirurgia intestinal é indicada e quais são os passos fundamentais para um pós-operatório seguro e eficaz.

Receber a notícia de que uma cirurgia no intestino é necessária pode gerar muitas dúvidas e ansiedade. O diagnóstico vem acompanhado de um plano de tratamento que, muitas vezes, aponta para o centro cirúrgico como a melhor solução para restaurar a saúde e a qualidade de vida. Compreender o processo é o primeiro passo para enfrentá-lo com mais segurança e tranquilidade.

A remoção de partes do intestino ou do cólon, um procedimento conhecido como ressecção intestinal, é, inclusive, uma das cirurgias mais frequentemente realizadas por cirurgiões gerais.

Quando uma cirurgia no intestino é realmente necessária?

A indicação para uma cirurgia intestinal ocorre quando tratamentos clínicos não são suficientes para resolver uma condição ou quando há uma emergência. A decisão é sempre baseada em uma avaliação médica detalhada, considerando o quadro geral do paciente.

As principais condições que levam a este procedimento incluem:

  • Doenças inflamatórias intestinais (DII): casos graves de Doença de Crohn ou retocolite ulcerativa que não respondem à medicação podem exigir a remoção dos segmentos mais afetados do intestino para controlar a inflamação e evitar complicações.

  • Diverticulite complicada: quando os divertículos (pequenas bolsas na parede do intestino) inflamam e causam perfurações, abscessos ou fístulas, a cirurgia se torna uma necessidade para remover a área comprometida. 

Em situações de diverticulite perfurada, a cirurgia com reconexão imediata do intestino (anastomose primária) mostrou-se mais vantajosa. Pacientes submetidos a ela têm uma chance de 92% de viver sem estoma a longo prazo, contra 81% em outros procedimentos, e necessitam de menos dias de internação.

  • Tumores e pólipos: a presença de tumores malignos (câncer colorretal) ou pólipos grandes que não podem ser removidos por colonoscopia exige a ressecção cirúrgica da parte do intestino afetada, junto com os gânglios linfáticos próximos.

  • Obstrução intestinal: um bloqueio que impede a passagem de fezes e gases, causado por aderências, tumores ou hérnias, é uma emergência médica que frequentemente requer intervenção cirúrgica para desobstruir o trânsito intestinal. 

Para pacientes que necessitam de cirurgia para obstrução intestinal, um protocolo de pré-habilitação, que inclui dieta de baixo resíduo, laxativos orais e treino físico, pode ser muito eficaz. Ele pode reduzir a necessidade de cirurgias de emergência e diminuir significativamente as complicações graves.

Quais são os principais tipos de cirurgia intestinal?

Existem diferentes tipos de procedimentos, e a escolha depende da doença, da localização e da extensão do problema. Os cirurgiões do aparelho digestivo definem a melhor abordagem para cada caso.

Colectomia: a remoção de parte do cólon

A colectomia é a remoção cirúrgica de uma parte (parcial) ou de todo (total) o intestino grosso, também chamado de cólon. Quando apenas um segmento é retirado, o procedimento é seguido pela reconexão das partes saudáveis restantes.

Ressecção e anastomose: o processo de remover e reconectar

Este é o termo técnico para a remoção de um segmento doente do intestino (delgado ou grosso) e a subsequente sutura ou grampeamento das duas extremidades saudáveis. Essa emenda é chamada de anastomose e seu objetivo é restaurar a continuidade do trato digestivo.

Ostomias: criando um novo caminho

Em algumas situações, não é possível ou seguro reconectar o intestino imediatamente. Nesses casos, o cirurgião cria uma ostomia, que é uma abertura no abdômen (chamada de estoma) para desviar o fluxo das fezes para uma bolsa coletora externa. A ostomia pode ser temporária, para permitir a cicatrização da área operada, ou permanente.

A preparação para a cirurgia intestinal é um fator crucial para o sucesso do procedimento e para a recuperação. Por exemplo, para cirurgias eletivas no cólon direito, a preparação intestinal com antibióticos orais antes da operação demonstrou uma tendência a diminuir complicações, especialmente infecções no local da cirurgia.

Como o procedimento é realizado?

A tecnologia cirúrgica avançou muito, oferecendo opções menos agressivas ao corpo. A escolha da técnica depende da condição do paciente, da experiência da equipe cirúrgica e da complexidade do caso.

Cirurgia aberta (convencional)

Nesta abordagem, o cirurgião faz uma incisão maior no abdômen para acessar diretamente o intestino. É um método tradicional, ainda necessário em cirurgias de emergência ou em casos de alta complexidade.

Cirurgia minimamente invasiva (laparoscopia e robótica)

Realizada com pequenas incisões, por onde são inseridos uma câmera e instrumentos cirúrgicos finos. O cirurgião opera olhando para um monitor de alta definição. A cirurgia robótica é uma evolução da laparoscopia, na qual o cirurgião controla braços robóticos com maior precisão e visão 3D. Os benefícios incluem menos dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida.

É importante destacar que, mesmo em situações de emergência que requerem cirurgia no intestino grosso (colorretal), a abordagem laparoscópica tem se mostrado mais vantajosa. Ela está associada a uma taxa significativamente mais baixa de complicações e a um menor tempo de internação hospitalar, o que contribui para uma recuperação mais rápida do paciente.

Como é a recuperação após a cirurgia no intestino?

O período pós-operatório é uma fase crucial e exige paciência e colaboração do paciente. O objetivo é garantir uma cicatrização adequada e a retomada segura das funções corporais.

Os primeiros dias no hospital

Logo após a cirurgia, a equipe médica monitora de perto os sinais vitais, controla a dor com medicamentos e incentiva a mobilização precoce. Levantar e caminhar assim que possível ajuda a prevenir complicações como trombose e infecções respiratórias, além de estimular o retorno do funcionamento intestinal.

A dieta no pós-operatório: passo a passo

A alimentação é reintroduzida de forma gradual para não sobrecarregar o intestino em cicatrização. O progresso geralmente segue uma ordem específica, sempre sob orientação médica e nutricional.

  1. Dieta líquida clara: inicia-se com água, chás e caldos coados.

  2. Dieta líquida completa: evolui para líquidos mais nutritivos, como sopas cremosas, vitaminas e iogurtes.

  3. Dieta pastosa ou branda: alimentos com consistência de purê, fáceis de digerir, são introduzidos.

  4. Dieta geral: retorno gradual à alimentação normal, evitando alimentos muito gordurosos, fibrosos ou condimentados por um período.

Cuidados com a cicatrização em casa

Ao receber alta, o paciente recebe orientações sobre como cuidar da incisão cirúrgica para evitar infecções. Se houver um estoma, enfermeiros especializados ensinam como manejar a bolsa coletora e cuidar da pele ao redor da abertura.

Quais são os riscos envolvidos e como são gerenciados?

Como todo procedimento cirúrgico de médio a grande porte, a cirurgia intestinal apresenta riscos. No entanto, as equipes médicas estão preparadas para preveni-los e tratá-los.

Os principais riscos incluem:

  • Infecção: tanto na incisão cirúrgica quanto dentro do abdômen. O uso de antibióticos profiláticos e técnicas estéreis rigorosas ajuda a minimizar essa chance.

  • Sangramento: pode ocorrer durante ou após a cirurgia, sendo controlado pela equipe.

  • Fuga na anastomose: vazamento na emenda do intestino. É uma complicação grave que pode exigir uma nova intervenção.

  • Aderências: formação de tecido cicatricial interno que pode, a longo prazo, causar obstruções.

  • Hérnia incisional: desenvolvimento de uma hérnia no local da cicatriz cirúrgica.

O sucesso de uma cirurgia intestinal depende não apenas da habilidade do cirurgião, mas também do preparo pré-operatório e do comprometimento do paciente com os cuidados pós-operatórios. Seguir todas as orientações médicas é fundamental para garantir uma recuperação completa e segura.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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