Cirurgia do Aparelho Digestivo

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Cirurgias gástricas: um guia completo sobre tipos e indicações

Conheça os principais tipos de cirurgias gástricas, de bariátrica a gastrectomia. Entenda as indicações, como funciona a recuperação e os cuidados essenciais.
ESL
Equipe São Lucas - Equipe São Lucas - Equipe São LucasAtualizado em 30/01/2026
Cirurgias gástricas

Entenda quando procedimentos como bariátrica ou gastrectomia são recomendados e o que esperar da preparação e recuperação.

A azia que não melhora, a dificuldade para perder peso apesar de todas as tentativas ou o diagnóstico de uma úlcera que se agrava. Essas são situações que podem levar uma pessoa a questionar se uma intervenção mais definitiva no estômago é necessária. As cirurgias gástricas surgem como uma alternativa importante quando outros tratamentos não foram suficientes.

O que são as cirurgias gástricas?

As cirurgias gástricas englobam um conjunto de procedimentos realizados diretamente no estômago. O objetivo é tratar doenças ou condições específicas que afetam este órgão vital do sistema digestivo. Elas podem ser classificadas como restritivas, disabsortivas ou uma combinação de ambas.

Procedimentos restritivos diminuem o tamanho do estômago, limitando a quantidade de alimento que pode ser ingerida. Já os disabsortivos alteram o trajeto do intestino, reduzindo a absorção de calorias e nutrientes. A escolha da técnica depende da condição a ser tratada, como obesidade, câncer ou doença do refluxo.

Quais são os principais tipos de cirurgias gástricas?

A cirurgia do aparelho digestivo é uma especialidade ampla, com diversas técnicas para diferentes patologias. No foco gástrico, alguns procedimentos se destacam pela frequência e eficácia, sendo majoritariamente realizados por videolaparoscopia, uma abordagem minimamente invasiva.

Cirurgia bariátrica e metabólica

Indicada para o tratamento da obesidade grave e doenças associadas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. As técnicas mais comuns são:

  • Bypass gástrico: cria uma pequena bolsa no topo do estômago e a conecta diretamente a uma porção mais distante do intestino delgado. Assim, combina restrição com uma menor absorção de calorias. O bypass gástrico é altamente eficaz no tratamento do Diabetes Tipo 2, com cerca de 69% de remissão da doença em dois anos. Contudo, essa taxa pode diminuir para 36% após 12 anos, sendo que a duração mais curta do diabetes antes da cirurgia é um fator crucial para um sucesso mais prolongado.

  • Gastrectomia vertical (Sleeve): remove cerca de 80% do estômago, transformando-o em um tubo estreito. É um procedimento puramente restritivo e também promove alterações hormonais que auxiliam na saciedade.

Gastrectomias para tratar tumores ou úlceras

As gastrectomias consistem na remoção de parte ou de todo o estômago. São indicadas principalmente para o tratamento de câncer gástrico e, em casos mais raros, para úlceras pépticas complicadas que não respondem ao tratamento clínico.

  • Gastrectomia parcial: remove a porção inferior ou uma parte específica do estômago afetada pela doença.
  • Gastrectomia total: o estômago é completamente removido e o esôfago é ligado diretamente ao intestino delgado.

Em ambos os casos, a linfadenectomia (retirada dos gânglios linfáticos próximos) é frequentemente associada, principalmente em cirurgias oncológicas, para avaliar a extensão da doença. Para pacientes estáveis com úlcera gástrica perfurada, a cirurgia laparoscópica é uma opção segura. Este tipo de intervenção proporciona uma recuperação mais rápida, com menor tempo de internação e menos complicações respiratórias, se comparada à cirurgia aberta.

Cirurgias para a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)

Quando o tratamento com medicamentos e mudanças no estilo de vida não controla os sintomas severos de refluxo, a cirurgia pode ser uma opção. A técnica mais utilizada é a fundoplicatura, que fortalece a válvula entre o esôfago e o estômago para impedir o retorno do ácido gástrico.

Atualmente, existem dispositivos como o RefluxStop™, que trata o refluxo gástrico com 93,1% de eficácia na melhora dos sintomas, sem comprimir o esôfago e reduzindo efeitos colaterais como dificuldade para engolir ou inchaço.

Como é a preparação para uma cirurgia gástrica?

A jornada pré-operatória é fundamental para a segurança e o sucesso do procedimento. Ela envolve uma avaliação completa por uma equipe multidisciplinar, que geralmente inclui cirurgião, endocrinologista, nutricionista e psicólogo.

O acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, com endocrinologistas, nutricionistas e psiquiatras, antes da gastroplastia endoscópica, por exemplo, é crucial. Este cuidado resulta em maior perda de peso e melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes. O processo de preparação costuma incluir:

  • Avaliação médica completa: com exames de sangue, endoscopia digestiva alta, ultrassonografia abdominal e avaliação cardiológica.
  • Acompanhamento nutricional: para adequar a dieta e, em alguns casos, promover uma perda de peso inicial que pode reduzir os riscos cirúrgicos.
  • Suporte psicológico: para garantir que o paciente esteja mentalmente preparado para as mudanças de vida que virão após a cirurgia.

Seguir todas as orientações médicas, como o jejum adequado e a suspensão de certos medicamentos antes do procedimento, é crucial.

O que esperar da recuperação e do pós-operatório?

A recuperação varia conforme o tipo de cirurgia e se foi realizada por via aberta ou laparoscópica. No entanto, alguns cuidados são universais e essenciais para uma boa evolução.

É importante estar ciente de possíveis complicações. Pessoas que passam por cirurgias gástricas, como a banda gástrica, têm um risco de até um terço de desenvolver hérnias incisionais, ou seja, na cicatriz da cirurgia. Essas hérnias podem surgir meses ou anos após o procedimento inicial.

Acompanhamento e suplementação

O acompanhamento médico e nutricional contínuo é indispensável. Após certos procedimentos, como o bypass gástrico, a suplementação de vitaminas e minerais (como ferro, cálcio e vitamina B12) é necessária por toda a vida para prevenir deficiências nutricionais.

Além disso, a prática regular de atividade física é incentivada assim que liberada pelo médico, pois auxilia na perda de peso, na manutenção da massa muscular e no bem-estar geral.

Quando procurar um cirurgião do aparelho digestivo?

A decisão por uma cirurgia gástrica deve ser tomada em conjunto com um especialista. É recomendado buscar avaliação se você apresenta condições como obesidade com IMC acima de 35 kg/m² associada a comorbidades, ou acima de 40 kg/m², segundo as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Outros sinais de alerta incluem sintomas de refluxo que não melhoram com tratamento clínico, diagnóstico de úlceras complicadas ou tumores gástricos. Apenas um profissional qualificado pode realizar o diagnóstico correto e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

_Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado. _

Bibliografia

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