
Entenda quando a frequência cardíaca baixa é um sinal de alerta e conheça as soluções médicas disponíveis para restaurar seu bem-estar.
Sentir uma tontura ao levantar-se rápido ou um cansaço que não parece ter explicação pode ser frustrante. Muitas vezes, atribuímos esses sinais ao estresse do dia a dia, mas eles podem indicar que seu coração está trabalhando em um ritmo mais lento que o ideal, uma condição conhecida como bradicardia.
O que é bradicardia e quando ela exige tratamento?
A bradicardia é definida como uma frequência cardíaca em repouso inferior a 60 batimentos por minuto (bpm). Ela ocorre quando o nó sinusal, o "marca-passo natural" do coração, dispara impulsos elétricos de forma mais lenta ou quando há um bloqueio na condução desses impulsos.
No entanto, ter um coração que bate devagar nem sempre é um problema. O tratamento depende inteiramente da presença de sintomas. Se a baixa frequência não impede o sangue de oxigenar o corpo adequadamente, a condição pode não requerer intervenção.
Quando um batimento lento é considerado normal?
Para certos grupos, uma frequência cardíaca mais baixa é um sinal de boa saúde. É o caso de:
- atletas e adultos jovens: um coração bem condicionado bombeia mais sangue a cada batida, precisando bater menos vezes para suprir o corpo;
- durante o sono: é natural que os batimentos cardíacos diminuam para até 40 bpm durante o repouso noturno.
A preocupação surge quando a bradicardia vem acompanhada de sinais de que o cérebro e outros órgãos não estão recebendo oxigênio suficiente.
Quais são os principais sintomas da bradicardia?
Quando o ritmo lento do coração compromete a circulação sanguínea, o corpo emite alertas. Os sintomas mais comuns incluem:
- Tontura ou sensação de vertigem;
- Cansaço extremo e inexplicável;
- Falta de ar, mesmo com pouco esforço;
- Confusão mental ou dificuldade de concentração;
- Desmaios ou sensação de pré-desmaio (síncope).
Esses sinais indicam que é hora de procurar uma avaliação médica detalhada para entender a causa e iniciar o tratamento adequado.
Como é feito o diagnóstico do batimento cardíaco lento?
Para confirmar a bradicardia e sua causa, o cardiologista realiza uma investigação completa. O processo começa com uma análise do histórico clínico e um exame físico.
Para um tratamento eficaz, um diagnóstico preciso é fundamental. Em alguns casos, a bradicardia pode ter causas raras e menos óbvias, como intoxicação por certas substâncias ou alimentos, a exemplo da intoxicação por peixes.
Além disso, o médico pode solicitar exames específicos para monitorar a atividade elétrica do coração e identificar a origem do problema.
Exames comuns para avaliação
Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração por alguns segundos. É o primeiro passo para identificar um ritmo anormal. O eletrocardiograma (ECG) é o exame inicial essencial para identificar rapidamente se os batimentos cardíacos lentos exigem tratamentos médicos específicos, como o uso de um marca-passo.
Holter 24 horas: um monitor portátil que registra os batimentos cardíacos continuamente por 24 horas ou mais, capturando episódios que não aparecem em um ECG de rotina.
Testes de laboratório: exames de sangue podem detectar condições que afetam o coração, como hipotireoidismo ou desequilíbrios de eletrólitos.
Quais são as opções de tratamento para bradicardia?
O tratamento para o batimento cardíaco lento é personalizado e focado em resolver a causa subjacente e aliviar os sintomas. É importante ressaltar que tratamentos como medicamentos e suporte clínico são cruciais para diminuir a frequência e a intensidade das crises de batimento cardíaco lento, especialmente quando a condição provoca sintomas. As abordagens variam desde ajustes simples até procedimentos mais complexos.
Ajuste e revisão de medicamentos
Muitas vezes, a bradicardia é um efeito colateral de medicamentos usados para tratar outras condições, como pressão alta ou ansiedade (por exemplo, os betabloqueadores). A primeira medida terapêutica é, frequentemente, a revisão da lista de remédios. O médico pode ajustar a dose ou substituir o fármaco por uma alternativa que não afete o ritmo cardíaco.
Tratamento de condições subjacentes
Se a investigação revela que a bradicardia é um sintoma de outra doença, como o hipotireoidismo ou a apneia do sono, o foco do tratamento se volta para essa condição primária. Ao controlar a doença de base, a frequência cardíaca tende a se normalizar.
Implante de marca-passo: a solução definitiva
Quando a bradicardia é causada por um problema no sistema elétrico do coração que não pode ser revertido, e o paciente apresenta sintomas significativos, o implante de um marca-passo é a solução mais indicada. Este pequeno dispositivo eletrônico é implantado sob a pele, geralmente na região do tórax.
Ele monitora continuamente o ritmo cardíaco e, sempre que detecta uma frequência muito baixa, envia um impulso elétrico indolor para estimular o coração a bater no ritmo correto. É um procedimento seguro e altamente eficaz para restaurar a qualidade de vida do paciente.
Cardioneuroablação: uma alternativa minimamente invasiva
Em casos específicos, principalmente em pacientes jovens com bradicardia causada por uma resposta exagerada do nervo vago, a cardioneuroablação pode ser uma opção. Este procedimento minimamente invasivo, realizado por cateter, modula os nervos ao redor do coração que estão desacelerando os batimentos, sem a necessidade de um implante.
Este procedimento é considerado uma alternativa eficaz ao marca-passo, especialmente para bradicardias relacionadas a desequilíbrios no sistema nervoso. A cardioneuroablação age corrigindo esse desequilíbrio e pode eliminar sintomas incômodos como tonturas e desmaios, restaurando o bem-estar do paciente.
É possível reverter a bradicardia naturalmente?
Manter um estilo de vida saudável, com dieta equilibrada e exercícios físicos, é fundamental para a saúde cardiovascular geral. No entanto, essas medidas não revertem problemas estruturais no sistema elétrico do coração.
Não existem tratamentos naturais ou remédios caseiros comprovadamente eficazes para corrigir a bradicardia sintomática. A automedicação ou a interrupção de medicamentos sem orientação médica pode ser perigosa. A abordagem correta é sempre seguir a recomendação de um especialista.
Quando devo procurar um cardiologista?
É fundamental procurar um cardiologista se você apresenta batimentos cardíacos lentos acompanhados de qualquer um dos sintomas mencionados. Procure ajuda médica imediatamente se você:
- Tiver episódios de desmaio;
- Sentir dor no peito ou falta de ar intensa;
- Apresentar confusão mental súbita;
- Perceber que os sintomas estão piorando ou se tornando mais frequentes.
Um diagnóstico precoce permite um tratamento mais eficaz, evitando complicações e garantindo que seu coração continue a trabalhar no ritmo certo para uma vida plena e ativa.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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