
Entender o diagnóstico é o primeiro passo. Conhecer as opções terapêuticas e os avanços da medicina é fundamental para a jornada.
O resultado do exame chega e, com ele, um turbilhão de dúvidas e incertezas. Um diagnóstico de leucemia impacta não apenas o paciente, mas toda a família. Nesse momento, a informação clara e confiável é uma ferramenta poderosa para compreender os próximos passos e as opções de tratamento disponíveis.
O que é leucemia e por que o tratamento é urgente?
A leucemia é um tipo de câncer que se origina nas células-tronco da medula óssea, responsáveis por produzir as células do sangue: glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas. Na leucemia, uma célula sanguínea imatura sofre uma mutação genética, transformando-se em uma célula cancerosa que se multiplica de forma descontrolada.
Essas células anormais, também chamadas de blastos, substituem as células sanguíneas saudáveis. Essa substituição impede o corpo de combater infecções, controlar sangramentos e transportar oxigênio adequadamente. Por isso, especialmente nas formas agudas, o tratamento deve ser iniciado rapidamente para buscar a remissão da doença.
Com o envelhecimento da população, a ocorrência de casos de leucemia tem aumentado. Esse cenário reforça a necessidade de infraestrutura em centros especializados para garantir o sucesso em tratamentos de alta complexidade.
Quais são as principais modalidades de tratamento para leucemia?
O tratamento da leucemia é complexo e altamente individualizado. A escolha da abordagem terapêutica depende de vários fatores, como o tipo específico da leucemia (mieloide ou linfoide, aguda ou crônica), a idade do paciente, seu estado geral de saúde e a presença de mutações genéticas específicas.
A decisão sobre qual terapia utilizar considera o nível de risco do paciente, a idade, as características genéticas das células cancerosas e a forma como o corpo responde ao tratamento inicial.
As principais estratégias incluem:
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Quimioterapia: uso de medicamentos para destruir as células cancerosas.
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Terapia-alvo: medicamentos que atacam vulnerabilidades específicas das células leucêmicas.
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Imunoterapia: estimula o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater o câncer.
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Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas (TCTH): também conhecido como transplante de medula óssea, substitui a medula doente por uma saudável.
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Radioterapia: utiliza radiação de alta energia para destruir células cancerosas, geralmente em situações específicas.
Uma equipe de hematologia e oncologia define o melhor plano terapêutico, que pode combinar mais de uma modalidade para aumentar as chances de sucesso.
Como funciona a quimioterapia no tratamento da leucemia?
A quimioterapia é, frequentemente, a primeira linha de tratamento para a maioria das leucemias, principalmente as agudas. Ela consiste na administração de fármacos potentes que eliminam células de rápido crescimento, como as células cancerosas. O tratamento é geralmente dividido em fases distintas.
As fases do tratamento quimioterápico
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Indução de remissão: é a primeira fase, mais intensiva, realizada em ambiente hospitalar. O objetivo é destruir o maior número possível de células leucêmicas na medula óssea e no sangue para levar a doença à remissão, ou seja, à ausência de sinais e sintomas.
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Consolidação: após a remissão ser alcançada, esta fase visa eliminar as células doentes remanescentes que não são visíveis em exames. Isso ajuda a prevenir que a doença retorne (recidiva).
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Manutenção: esta etapa, que pode durar alguns anos, utiliza doses menores de quimioterápicos para garantir que a doença permaneça em remissão. É mais comum no tratamento da Leucemia Linfoide Aguda (LLA).
A duração total do tratamento quimioterápico pode variar de um a mais de dois anos, dependendo do protocolo específico para cada tipo de leucemia.
O que são a terapia-alvo e a imunoterapia?
Os avanços na compreensão da biologia do câncer levaram ao desenvolvimento de tratamentos mais direcionados e com menos efeitos colaterais que a quimioterapia tradicional.
Terapia-alvo
A terapia-alvo utiliza medicamentos que identificam e atacam características específicas das células cancerosas, como proteínas ou genes anormais, poupando a maioria das células normais. A identificação de células-tronco específicas da leucemia também permite otimizar o tratamento. Isso auxilia na previsão da resposta clínica e na personalização das terapias para maior eficácia. Um exemplo clássico é o uso de inibidores de tirosina quinase para tratar a Leucemia Mieloide Crônica (LMC), que transformaram o prognóstico da doença.
Imunoterapia
A imunoterapia é uma estratégia revolucionária que usa o sistema imunológico do próprio corpo para combater o câncer. Uma das abordagens mais conhecidas é a terapia com células CAR-T, na qual os linfócitos T (células de defesa) do paciente são modificados em laboratório para reconhecer e destruir as células leucêmicas.
Este tratamento de alta complexidade fortalece o sistema imunológico para identificar e destruir as células cancerígenas da leucemia de forma mais eficaz. Outra forma são os anticorpos monoclonais, que se ligam a alvos específicos nas células doentes, marcando-as para destruição pelo sistema imune.
Quando o transplante de medula óssea é indicado?
O Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas (TCTH), popularmente conhecido como transplante de medula óssea, é um procedimento de alta complexidade. Ele é considerado para pacientes com leucemias de alto risco, em casos de recidiva ou quando a doença não responde bem à quimioterapia inicial.
O processo envolve a administração de altas doses de quimioterapia (e, às vezes, radioterapia) para eliminar completamente a medula óssea doente do paciente. Em seguida, ele recebe a infusão de células-tronco saudáveis, que podem ser de um doador compatível (alogênico) ou, mais raramente, do próprio paciente (autólogo).
Essas novas células migram para a medula óssea e começam a produzir novas células sanguíneas saudáveis. O transplante de células-tronco é um tratamento eficaz para curar a leucemia, mas exige um monitoramento frequente para assegurar que a nova medula óssea esteja funcionando corretamente.
A realização de um TCTH exige uma infraestrutura hospitalar completa e uma equipe multidisciplinar experiente, como a encontrada em centros de excelência em hematologia, como o Hospital São Lucas Copacabana, para garantir a segurança e o suporte integral ao paciente durante todo o processo.
Quanto tempo dura o tratamento de leucemia?
A duração do tratamento varia significativamente. Para leucemias agudas, o tratamento intensivo inicial dura vários meses, seguido por uma fase de manutenção que pode se estender por dois a três anos. Já no caso de leucemias crônicas, como a LMC, o tratamento com terapia-alvo oral pode ser contínuo por tempo indeterminado.
É fundamental que o paciente e sua família conversem abertamente com a equipe médica para entender o cronograma, os possíveis efeitos colaterais e os cuidados necessários em cada etapa. O suporte de profissionais como psicólogos e nutricionistas também é essencial para atravessar essa jornada com mais qualidade de vida.
O caminho do tratamento da leucemia é desafiador, mas os avanços da medicina oferecem cada vez mais esperança e melhores resultados. Ter ao lado uma equipe especializada e o suporte de um centro de referência faz toda a diferença para um tratamento seguro e eficaz.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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